Empreendedorismo de coragem: conheça as estratégias para atravessar o vale da morte

Aprender com a trajetória de outros empreendedores é importante para quem se aventura a abrir o próprio negócio. Os erros costumam se repetir e, portanto, podem ser evitados com um olhar na experiência alheia. Além disso, é sempre bom poder partilhar problemas comuns. No Programa de Inovação LPBK, os participantes vão ficar cara a cara, em um bate-papo franco, com fundadores de legaltechs, as startups que atuam na área jurídica. A primeira convidada para essa troca de informações foi Bibiana Espíndola, da Jurimetric, empresa que trabalha no segmento de Jurimetria, que, na prática, significa a Estatística aplicada ao Direito.

A decisão de empreender surgiu no primeiro hackathon jurídico do país promovido pela OAB/PR. Naquela época, em 2016, Bibiana se dedicava ao próprio escritório e enfrentava os problemas corriqueiros da advocacia iniciante. Para participar do evento, ela formou um time com competidores de outras áreas, como Design e Economia. Essa multidisciplinaridade impulsionou a equipe em direção a um propósito ousado  – predizer, com base em dados, as chances de ganhar ou perder uma ação no Judiciário  –, que garantiu a eles o 1º lugar na competição e marcou o início de um percurso árduo pelo mundo do empreendedorismo.

Aos participantes do Programa de Inovação, Bibiana destacou como requisitos imprescindíveis para uma narrativa de sucesso a capacidade de execução do empreendedor e a resiliência para readequar o modelo de negócios sempre que as barreiras surgirem. Contornar problemas com criatividade foi determinante para a sobrevivência do negócio no momento em que a Jurimetric se aproximou do chamado “vale da morte”, o período de incertezas que antecede a captação de investimentos. De lá para cá, a Jurimetric passou pelo programa de aceleração do Founder Institute em Curitiba e, atualmente, é uma empresa parceira da LPBK.

Dificuldades

Dentre as dificuldades enfrentadas no oferecimento de produtos e serviços inovadores, está a de buscar cliente com o perfil early adopter, ou seja, que está disposto a ser o primeiro a testar e adquirir a tecnologia. No caso da área jurídica, o problema se torna mais acentuado devido ao tradicionalismo do mercado, ainda resistente às transformações digitais.

No início, a Jurimetric tentou criar a própria base de dados extraindo-a de fontes públicas de informação, como os sites dos tribunais, com a ajuda de robôs inteligentes. A estratégia logo se mostrou falível por uma série de fatores, incluindo o custo alto da captura de dados e a confiabilidade das informações.

Uma alternativa adotada pela Jurimetric foi a tentativa de enriquecimento da base por meio da criação de uma comunidade em uma parceria inédita com as universidades de Direito. A saída também não se mostrou viável.

A empresa logo teve de se readaptar buscando obter a base de dados dos próprios clientes. Novo impasse. Segundo Bibiana, ainda é difícil convencer o escritório de advocacia ou o corporativo jurídico a cocriar junto com uma legaltech. Buscar novos caminhos se mostrou necessário… Afinal, o que fazer diante de tantas barreiras?

Pivotar para escapar do vale da morte

A necessidade de “pivotar” é inerente ao ato de empreender. O termo é derivado do inglês to pivot (“mudar” ou “girar”) e significa a correção radical dos rumos de um negócio, com a tomada de outra direção. A Jurimetric desenvolveu diversos produtos na tentativa de escalar o negócio, sempre utilizando a metodologia “startup enxuta”, de testar rápido, errar e aprender, validando o produto com o cliente.

O resultado desse processo fica demonstrado na evolução do modelo de negócios. Atualmente, a Jurimetric atua com foco na maior dor dos departamentos jurídicos corporativos, que é o provisionamento. Com base em dados e em métodos estatísticos, a legaltech atualmente oferece um modelo preditivo capaz de realizar o provisionamento com assertividade, o que resulta em uma grande economia para as empresas e, principalmente, na transformação do jurídico interno em efetivo parceiro do negócio, com atuação estratégica.

Aprender a pivotar é a primeira lição para os participantes do Programa de Inovação LPBK, que agora estão com o modelo mental preparado para submergir nos modelos de negócios. Bons projetos e ideias vêm por aí! =)